Nem sei bem por onde começar. A verdade é que é difícil encontrar a introdução certa para um assunto assim. Eu queria escrever algo que vos cativasse e vos fizesse ler até ao fim, mas já fico contente se pensarem no assunto, apenas por um segundo que seja.
Alexandra Borges é jornalista da TVI e foi a responsável pela recente reportagem "Filhos do Coração". Repórter há muitos anos, esteve em vários conflitos e desastres mundias e pensava já ter visto tudo. Mas, enganara-se. Quando leu uma notícia publicada no "the New York Times" sobre a escravidão infantil e o tráfico de crianças no Gana decidiu mostrar ao mundo este crime com o qual, talvez por ignorância, todos convivemos pacificamente.
Foi por causa dessa mesma notícia que a norte-americana Pam Cope decidiu estender ao Gana o trabalho da Fundação de ajuda ás crianças que tinha criado quando lhe morreu o filho - a Touch Life Foundation, e que já actuava no Vietname e no Cambodja. Agora está também no Gana.
Acho que todos podemos aprender com isto: todos temos esta capacidade de nos entregar-mos inteiramente ao próximo. Porque será que nem sempre somos capazes de o fazer?

Tanto Alexandra como Pam decidiram partir para o Gana. O que ali encontraram chocou-as mais do que podiam pensar: os pais vendem os filhos por menos de 30 euros (o mesmo preço de uma cesta de peixe no mercado), e nunca mais os procuram. As crianças não sabem o seu nome verdadeiro nem quantos anos têm, porque não há registos (legalmente elas não existem). São levadas para um sítio isolado e longínquo, de onde não conseguem fugir, e onde lhes batem e obrigam a trabalhar na pesca noite e dia, todos os dias da semana, a troco de um prato de comida por dia. São "propriedade" do patrão.
Hoje, a Touch a Life Foundation está no Gana para tentar resgatar estas crianças do "Lago Volta". Estes resgates foram acompanhados pela repórter portuguesa em 2007 e 2009. A fundação tenta oferecer às crianças melhores condições de vida: cuidados de saúde, acesso à educação e segurança. Mas, os resgates são verdadeiras batalhas: os patrões amedrontam as crianças dizendo-lhes que os americanos os vão "esfolar vivos", o que faz com que muitas acabem por ser retiradas contra a sua própria vontade. E quando o acordo de resgate entre a fundação e o "dono" não é feito num dia, os patrões fazem as crianças desaparecer, matando-as ou enviando-as para outra ilha.
E como é que tudo isto é possível? Como é que continuam milhões de crianças a ser vendidas, escravizadas, maltratadas e traficadas? Bem, isso acontece porque a indiferença mata. Sabiam?
E é por isso que eu quis escrever isto: não posso ir para o Gana salvar estas crianças, mas posso passar a palavra, divulgar o que se passa. Se todos fizermos isso esta mensagem chegará certamente a alguém que possa fazer mais que nós! Cabe-nos não ficar indiferentes, não deixar que esta mensagem morra aqui. Mexam-se e inventem maneiras de ajudar! Posso disponibilizar todas as informações que precisarem: nomes dos meninos já resgatados e as suas histórias, até a morada onde estão (para se quiserem escrever-lhes alguma carta em inglês).
Beatriz Roque 


2 comentários:
Obrigado por esta participação tão diferente neste Blog e neste grupo, esta pro-actividade é de louvar.
Espero que a tua acção tenha algum efeito, tanto ao nível da divulgação e sensibilização de todos nós para este assunto, como para ajudar a resolver alguma coisa na vida destas crianças e no rumo deste país, por pequena que seja a mudança...
Obrigada Carlos,
Espero que nos faça a todos pensar um pouco.
Estas crianças não têm voz, nunca tiveram nem um bocadinho do amor que nós temos todos os dias - da nossa família, dos nossos amigos ...
Só isto chega para pensarmos o quão bom é nos termos uns aos outros, por mais problemas que tenhamos!
Obrigada mais uma vez, isto é realmente importante para mim. É triste sabermos que, talvez não nestas dimensões, mas há tanta gente que precisa da nossa ajuda, basta olhar para o nosso país.
Que tal comerçarmos já? Um sorriso basta para fazer uma diferença astronómica! Será que somos capazes de dar esse bocadinho de nós ao próximo, ... só um sorriso?!
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